domingo, março 24, 2013

Ocre




O mormaço traz o lapso. O calor cuida de encobrir as defesas daquilo que custa a sair de nós. Escrevo um nome errado, troco palavras por outras que desconheço que quero usar.
A tarde ocre cobre a casa de preguiça e saudade. Uma vontade de dormir.
Então o mundo se encerra em si.

quarta-feira, março 20, 2013

O outono chegou


O outono chega e, com ele, a esperança de tardes melhores.
Mais um aniversário que se aproxima.


sábado, março 16, 2013

The State I Am In




Corro contra o tempo, como um atleta que bebe xícaras e mais xícaras de café durante uma maratona.
Tênis allstar para um velho, enorme e desajeitado trabalhador que não para de correr. Enfim que termino por chegar aonde comecei. Como um eterno retorno de poucos anos. Acabo por retornar diferente à olhar onde comecei a mais de 4 anos atrás.
O mesmo tênis, alguns quilos a mais, alguns brincos a menos. Cansado. Com medo de recomeçar, com medo de continuar onde se está. Voltar a voltar na contramão dos que acordam cedo para o trabalho, sozinho e com sono ao raiar o dia.
Respiro fundo como estivesse a pular no fundo do rio. Ajeito os óculos embaçados pelas marcas dos meus dedos. Decido que quero correr por outros caminhos, fracassar por tentar e não a minha revelia, como se escrever fosse um ato dos dedos, involuntariamente ao desejo de quem escreve, independente de que saiba o que deseja ou o que quer que seja que desconheça ao escrever.
Cadarços bem atados, a sola do allstar descolando- tudo bem. Vamos ver até onde ele aguenta a próxima corrida.



Trilha sonora:

domingo, março 10, 2013

Dever cumprido




Rabisco folhas de caderno na cama. Na cabeceira diversos livros empilhados prontos pra cair sobre minha cabeça. Dos que estou lendo, um de história da psicanálise, um de Saramago e um de Bettelheim.
Penso na faxina de domingo que fiz. Domingo de chuva e sol. Domingo de falta d'água. Domingo sozinho comigo mesmo.
Escuto uma música do Jeneci "[...] quando um não quer, os dois não fazem tempestade em copo d'água [...]"
Arrumo a casa como se arrumasse a mim mesmo. Me pondo em ordem.
Bermuda, pés descalços, uma xícara de café e a sensação de dever cumprido.

sábado, fevereiro 23, 2013

Havia uma velha mulher que morava em um sapato (conto folclórico inglês)




Havia uma velha mulher que morava num sapato,

Ela tinha tantos filhos que não sabia o que fazer!

Então, deu-lhes um pouco de caldo sem nenhum pão,

E chicoteou a todos profundamente e enviou-os para a cama!

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There was an old woman who lived in a shoe,
She had so many children she didn’t know what to do!
So she gave them some broth without any bread,
And she whipped them all soundly and sent them to bed!

Referência


terça-feira, fevereiro 05, 2013

Edipiana nº1







Mamãe,
Eu ontem passei mal
E me lembrei de você
 

Mamãe,
Eu me lembrei de você
E gritei: Mamãe!
 

E depois o silêncio e a calma
Tomaram minha cara
E eu me vi no espelho, mamãe


Ô mãe, meu cabelo avoou
Meu pensamento mudou
Minhas marcas digitais
Sei lá, sei lá, mãe


Não se avexe em perguntar
Se eu gosto de você
Mando um beijo pra você,
Mamãe

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Alceu Valença

sábado, fevereiro 02, 2013

Mar




Sentado na beira da praia de Boa Viagem, conversando sobre o mar. Era assim que ele estava da última vez que conversou com o amigo castor.
Um caju caído entre as areias de um dia de semana, sem movimento, em um dos jardins de Boa Viagem. Era o que recordava.
Abrira um guarda-chuva pra se proteger do sol e olhava, por detrás dos óculos escuros, as ondas intermitentes a se arrastarem sobre a areia molhada.
A conversa, longe, sobre música e o mar. Marinheiros de primeira viagem. O mar a dar suas idas e vindas.
O caju com saudades do ar, de estar suspenso em seu cacho.
O castor a querer descer de batisfera os abismos do mar.
O tempo a passar naquela conversa.
Por fim se despediram.
Nem mar, nem ar. Cada um foi pra sua casa.



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