quinta-feira, abril 04, 2013

Sobre a passagem do tempo





Devagar....
Os dois dormiam sentados, um ao lado do outro. Dormiam com uma comodidade de décadas de sono.
O calor, a casa que os acolhera a mais de quarenta anos a parar o sol da tarde, deixando passar pelas persianas da janela o vento quente que traz a preguiça e a moleza.
Eles a cochilarem, os cabelos brancos, as cabeças encostadas. Se por acaso dissessem que os pagaram dormindo no sofá, negariam categoricamente. Estavam "descansando a vista".
O mundo passava, caminhava do lado de fora da casa. As pessoas, carros, ônibus a passarem e eles alheios a tudo isso, com um relógio de horas diferentes, com ponteiros a se moverem segundo suas próprias leis.
Penso no tempo que os observo cochilar, ao acordarem quando os netos chegam ao final da tarde. Bem acolhidos nos braços dos avós, com cheiros, beijos.
Os brinquedos espalhados, eles a se fazerem de aprendizes das descobertas mirabolantes das crianças, compartilhando das mesmas surpresas diante do óbvio.
Eu observo e escrevo o tempo.
Lá fora o mundo corre, apressado. Lá dentro há pressa, de carinho.

terça-feira, abril 02, 2013

The Secret Language of Birds





This sparkling wine is all but empty.
Too late for trains and no taxis.
I know the feeling. Seems all too contrived.
There was no master plan but the fact is:
you must stay with me and learn the secret language of birds.

A tentative dawn about to be breaking
on a Rousseau garden with monkeys in hiding.
The truth of the matter, yet to be spoken
in words on which everything, everything's riding.
Now stay with me and learn the secret language of birds.

Circled by swallows
in a world for the weary.
Courted by warblers; wicked and eloquent trilling.

Lie in the stillness, window cracked open.
Extended moments, hours for the taking.
Careless hair on the pillow, a bold brushstroke.
Painted verse with a chorus in waiting.
Stay with me and learn the secret language of birds.

--Ian Anderson

domingo, março 24, 2013

Ocre




O mormaço traz o lapso. O calor cuida de encobrir as defesas daquilo que custa a sair de nós. Escrevo um nome errado, troco palavras por outras que desconheço que quero usar.
A tarde ocre cobre a casa de preguiça e saudade. Uma vontade de dormir.
Então o mundo se encerra em si.

quarta-feira, março 20, 2013

O outono chegou


O outono chega e, com ele, a esperança de tardes melhores.
Mais um aniversário que se aproxima.


sábado, março 16, 2013

The State I Am In




Corro contra o tempo, como um atleta que bebe xícaras e mais xícaras de café durante uma maratona.
Tênis allstar para um velho, enorme e desajeitado trabalhador que não para de correr. Enfim que termino por chegar aonde comecei. Como um eterno retorno de poucos anos. Acabo por retornar diferente à olhar onde comecei a mais de 4 anos atrás.
O mesmo tênis, alguns quilos a mais, alguns brincos a menos. Cansado. Com medo de recomeçar, com medo de continuar onde se está. Voltar a voltar na contramão dos que acordam cedo para o trabalho, sozinho e com sono ao raiar o dia.
Respiro fundo como estivesse a pular no fundo do rio. Ajeito os óculos embaçados pelas marcas dos meus dedos. Decido que quero correr por outros caminhos, fracassar por tentar e não a minha revelia, como se escrever fosse um ato dos dedos, involuntariamente ao desejo de quem escreve, independente de que saiba o que deseja ou o que quer que seja que desconheça ao escrever.
Cadarços bem atados, a sola do allstar descolando- tudo bem. Vamos ver até onde ele aguenta a próxima corrida.



Trilha sonora:

domingo, março 10, 2013

Dever cumprido




Rabisco folhas de caderno na cama. Na cabeceira diversos livros empilhados prontos pra cair sobre minha cabeça. Dos que estou lendo, um de história da psicanálise, um de Saramago e um de Bettelheim.
Penso na faxina de domingo que fiz. Domingo de chuva e sol. Domingo de falta d'água. Domingo sozinho comigo mesmo.
Escuto uma música do Jeneci "[...] quando um não quer, os dois não fazem tempestade em copo d'água [...]"
Arrumo a casa como se arrumasse a mim mesmo. Me pondo em ordem.
Bermuda, pés descalços, uma xícara de café e a sensação de dever cumprido.

sábado, fevereiro 23, 2013

Havia uma velha mulher que morava em um sapato (conto folclórico inglês)




Havia uma velha mulher que morava num sapato,

Ela tinha tantos filhos que não sabia o que fazer!

Então, deu-lhes um pouco de caldo sem nenhum pão,

E chicoteou a todos profundamente e enviou-os para a cama!

------------------

There was an old woman who lived in a shoe,
She had so many children she didn’t know what to do!
So she gave them some broth without any bread,
And she whipped them all soundly and sent them to bed!

Referência


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Quem procura...