terça-feira, setembro 13, 2016
O perdedor
Era um perdedor nato. Era fato. Inquestionável.
Perdera-se uma vez no seu próprio bairro assim que mudara de cidade. Ainda hoje motivo de boas risadas com antigos amigos do colégio.
Perdera amigos, entes queridos, para sempre.
Trabalhava ajudando gente perdida a se encontrar, a lembrarem-se de si. Ele que também era dado às desatenções e ao esquecimento, ajudava a guiar desconhecidos por lugares que nenhum dos dois conhecia.
Guardava um orgulho secreto, uma quase soberba, uma vaidade alimentada pelos que o amavam e o queriam bem. Achava-se inteligente.
O era, mas não tanto.
Porque não sabia perder. Porque perdia o sabor de tentar novamente. Porque não era inteligente o bastante pra saber que o que é importante não se perde, se agrega.
O grande perdedor.
Aquele que ainda levaria anos para perder o medo de perder, para permitir perder-se.
quinta-feira, setembro 01, 2016
quarta-feira, agosto 31, 2016
Cabidela
Tudo vermelho
Os meus olhos pegando fogo
Minha paciência encardida, meu sufoco
Eu já quebrei o espelho
Terminei meu namoro
Tudo vermelho de novo
A minha cor é uma só
Sozinha perdida em meus lençóis
O tempo fechou pra mim
Eu a fim que o mesmo se vá
Não quero ter você em mim
Nem me esquentar
Não quero te sentir
Mombojó - Cabidela.
quinta-feira, julho 14, 2016
Contos da meia-noite: Legião
Às vezes fico dias sem conversar com ninguém.
Trancado em casa, não conto mais os dias.
Fico trancando as portas dentro de casa. Elas sempre abrem.
não durmo a dias, já não sei se estou realmente acordado ou naqueles estados causados pela monotonia do quarto em que minha cabeça torna-se chamas.
Eles estão chegando. Está ouvindo?
Posso ver com meus olhos de botões, eles batendo as portas.
Rio alto, gargalho, assustando cachorros e crianças durante a noite.
Somos muitos, eles dizem. Nosso nome é Legião...
sábado, julho 09, 2016
Saberes
Não sei cantar. Mas eu canto.
Não sei escrever bem. Mas eu tento.
Traço linhas no papel e chamo de desenho. Mas, nem tanto.
Não chego nem perto do que imagino ser o mais próximo do que poderia alcançar.
Tomo mais um copo de cerveja.
Ah! Essa tristeza que não tem fim.
sábado, junho 25, 2016
São duas da manhã. Escrevo.
Conto uma história perdida, um conto bem curto, porque não consigo concatenar mais do que dois ou três personagens.
Não escrevo tão bem quando estou tomando remédios. Me fogem as letras da história que tento escrever.
Pequenos fragmentos aleatórios que junto, tentando dar coesão à algo que não fora planejado. Paro e respiro, volto a história. Besteira, apago ela por completo da tela do computador.
Eu não sei escrever, essa é a verdade. Pego emprestado entonações dos outros, minha escrita não tem sotaque, é de lugar nenhum, como eu.
Abito o momento em que abito, não tenho fé em nada, além do amor que sinto por ela. Acendo um cigarro, tomo remédios pra dor, escuto
Portishead, sinto a chuva que apaga as fogueiras das ruas.
Olho o mundo do alto dos meus quase dois metros, não tenho respostas para as perguntas, porque não tenho perguntas. Sinto a chuva. Apago o cigarro e torço para os remédios fazerem efeito.
Esqueço do conto, não tenho ânimo para escrever outra coisa.
Volto pra cama, sei que ela vai embora daqui a poucas horas.
Abraço-a perdendo-me no cheiro de seus cabelos, noite a dentro,
adentro.
terça-feira, março 29, 2016
Fantasmas
Havia
fantasmas nas minhas casas. Em quase todas que morei.
Quando
estava só, os via por vezes à noite. Tinha uma mulher no meu antigo
apartamento, ela morava no quarto de visitas. Vivia passando da sala
para o quarto de visitas, mas nunca me falou uma palavra.
Mais
de uma vez cheguei a me perguntar se eu não era o fantasma afinal.
Quem sabe?
Tenho
lembranças pelas paredes de casa, caminho pelos quartos vazios.
Livros
e fotos, é o que você encontraria aqui.
Além
de um gigante a vagar por entre vultos durante a noite.
Assinar:
Comentários (Atom)