segunda-feira, dezembro 22, 2008
Resenha: A parte obscura de nós mesmos: Uma história dos perversos - Elisabeth Roudinesco
quinta-feira, dezembro 11, 2008
Textos perdidos de Natais e agradecimentos
Fico em silêncio por mais de 30 minutos na frente do computador...
Trinta longos minutos em frente a tela branca sem ter o que escrever depois de ter apagado acidentalmente o texto que seria o predecessor deste ...
Vazio... assim me sinto... como se todos os sentimentos fossem depositados em algo que já não existe mais. Toda a poética, todas as revisões, as alusões, o preparo para olhos alheios e sem pudor, tudo para nada.
Só para meus olhos calejados de ler o óbvio sobre mim...
A única coisa que sobrou daquele texto fora a foto que tirei do pequeno inseto que caminhava na tela do computador, que acabou por registrar um pequeno pedalo de texto que agora se perde de seu sentido, do meu sentido.
Sinto vazio ao escrever, mesmo ao escutar Smiths agora, mesmo a meia-noite e doze, enquanto escrevo. Um texto que falava de agradecer, um texto que falava do meu imergir em mim.
Meu
Eu
Meu
Eu
Eu
Meu
Chega.
É tempo de agradecer.
Tempo de saber ir para coxia e ver a beleza dos coadjuvantes de nossas vidas, e aprender a ser coadjuvante na vida dos outros.
Aliás, todos somos atores principais, até mesmo na vida dos outros, nem que por breves momentos, mas talvez devêssemos exercitar um pouco nossas figurações.
Quero beijos e sorvetes de flocos.
Nem lembro mais daquele texto e escuto a TV da sala ligada enquanto eu escrevo na escuridão, sob a luz do computador, que faz sombras nas teclas que insisto em bater após perder meu outro texto.
Tenho saudades de todos, e tenho mais cartas prontas em minha mente. Prontas para correr o mundo em busca dos meus amigos. Quero todos comigo em minhas tardes quentes de outono.
Quero agradecer a todos que passam na rua, tirando meu chapéu para os senhores e as jovens senhoritas enquanto caminho com minha bengala ao lado de minha esposa.
A primavera se foi, nossa primeira primavera. Que venham as estações, minhas emoções nunca fora sazonais.
Que venham as estações! Eu ordeno.
Caminhemos juntos pelo saboroso prazer de descobrir, de nos descobrir, de nos despir do medo de nos descobrir.
Tiro meu chapéu e agradeço a todos que passam.
Feliz natal digo a todos, como se de repente fosse o velho Scrooge, do conto de Dickens, após ver todos os fantasmas dos natais...
Caminho sorridente, tiro meu chapéu novamente e paro diante de você. Levemente faço uma referência olhando em seus olhos.
Obrigado e feliz Natal.
Trilha sonora:
sábado, novembro 08, 2008
Livros e cartas e justificativas
Justificativas
A nova vida de servidor público me deixou um pouco afastado desse meu cantinho, que agora retomo um pouco envergonhado de escrever e meio enferrujado das palavras...
Livros e as cartas
Nesses últimos meses tive três companheiros queridos comigo: Rainer Maria Rilke, Friedrich Nietzsche e Arthur Schopenhauer. Três alemães dispares, que andam me ensinando formas diferentes de ver as mesmas coisas de sempre. Um se tornou meu irmão, um meu algoz e outro um guru.
Tenho tido conselhos sobre a escrita através das cartas de Rilke, assim como tenho tentado acompanhar os passos de Zaratustra.
Minha compulsão pela leitura não tem tido limites nesses últimos anos, e tenho me enchido das experiências de tudo, do todo estou grávido.
Estou grávido de uma nota musical, das palavras que têm buscado irem para bem longe de mim, nas cartas que tenho enviado.
Tenho sido avaro com cada boa sensação que tenho tido, me vendo longe daquele mesmo eu que deixava as pequenas felicidades escorrer pelos dedos abertos... Hoje minha felicidade segue pelos correios, dando olás e como vais? por ai, ávido pelas noticias, esperando pelas respostas.
Hoje me dou mais respostas e aguardo pacientemente as respostas alheias, que já não mais são alheias a mim.
Escuto um velho álbum de Cartola e cantarolo velhos sambas doces desse grande senhor. Busco as coisas simples e já não me reclamo das complicadas. Tenho aprendido a amar e até desejar minhas tragédias. Sou meu espelho avesso, e vejo mais que o reflexo de mim.
Vejo um mundo por descobrir.
Um mundo pelo qual viajo por meio das minhas cartas...
segunda-feira, setembro 08, 2008
Beija-flores, descobertas e casamentos
Por muitos momentos ficava a olhar ele (ou ela), encher a boca com os fiapos da rede, formando uma barba branca em seu longo bico...
- Ele deve estar pegando os fiapos pro ninho dele, para os filhotinhos – dizia ela, rindo enquanto eu ficava preocupado com a rede que agora era minha.
Finalmente eu vou construir um ninho também... Talvez, na verdade esteja só a ponto de oficializar esse ninho que tenho e chamá-lo de meu também.
Casar de papel passado, com direito a (argh) igreja e sogros velhinhos e simpáticos. De terno, gravata, allstar e suspensórios, estou caminhando para mais uma das minhas mudanças, mas uma mudança que pude escolher, e como pude escolher.
Caminho para uma mudança feita de coração, voltada para a felicidade. Voltada para a cumplicidade, de ser dois com jeitos, temperamentos e visões de mundo diferentes, e não uma massa disforme de duas pessoas que perdem suas identidades e não sabem onde um começa e onde termina o outro.
Caminho, não com o coração de um apaixonado cego, ávido por amor incondicional e pela sensação de posse do outro, jogando suas expectativas de felicidade nas costas do outro, mas talvez como um romântico incurável, que sabe das limitações do outro e de suas próprias, e mesmo assim não deixa de se apaixonar diariamente não só pela sua mulher, mas por tudo que o rodeia.
Não quero um conto de fadas, como talvez possa se pensar de um casamento “oficial”, ou como fui questionado sobre as certezas de uma de viver a dois. Estou mais para “a vida como ela é”, e ela é pra mim algo que está sempre para se descobrir, uma cruzada para mais além, um momento de sabores e de dissabores, de leituras e práticas e antes de tudo de sentimentos.
Minhas tardes quentes nos outonos da vida estão menos solitárias, mais cheias de sorrisos e claro, como isso é vida real, de discussões, de brigas e de reconciliações. Ah! As reconciliações, tão deliciosas que dá vontade de brigar novamente.
Se tem algo que aprendi é que muitas vezes isso de nada vale se não aprendemos algo imprescindível (pela qual uma amiga minha trava uma cruzada feminista para que todas entendam), que nada disso adianta se não há amor próprio, se não há o gostar de si.
Gostar de si. Poderia me ouvir falar disso sob uma ótica totalmente diferente a mais de meia década atrás. Talvez esse tenha sido um dos maiores presentes desse blog para mim (além dos amigos inusitados e ímpares que descobri por aqui), ter a oportunidade de aprender comigo mesmo, de me desejar, de me despertar um afeto que antes era totalmente desconhecido por mim mesmo e que hoje se torna um tesão, uma paixão e um amor condensado.
Estou feliz, assim como estarei triste, bravo, solidário, condescendente.... em busca de redenção.
De vez em quando o beija-flor aporta na varanda e vem desfiar a rede antiga.
- Vou comprar um daqueles potes em forma de flor, que se pões água açucarada para o beija-flor se alimentar – me pego pensando de vez em quando.
Venha tomar uma garapinha meu amigo, e vamos bater um papinho sobre nossos ninhos e, quem sabe, marcar um encontro de casais. Pode trazer seus filhotes também pra conhecer a gente, adoramos crianças.
quinta-feira, agosto 21, 2008
Mamãe e o sentido da vida

Quando estamos nos sonhos dos outros?
E quando os outros estão em nossos sonhos?...
Já não sonho a um bom tempo com ela. E se sonho, já não lembro que sonho mais.
Me lembrei de quando era menino, e de como o sentido da vida era trivial. Hoje esse sentido se perde da miríade de estrelas que as nuvens de chuva das noites de agosto teimam em esconder.
segunda-feira, agosto 11, 2008
Dia dos pais
Espero que ainda não seja tarde pra desejar feliz dias dos pais.
Ah sim, e mande um alô para os coelhos também..
domingo, agosto 10, 2008
Pecados
A tentação de Santo Antônio - óleo sobre tela,1946 - Salvador Dali
De repente é como se durante esses dias eu estivesse no limbo...
Gastando uma energia imensa em nada, nada que pudesse ser compreendido, nas confissões da noite feitas por eles. E eu, feito um padre que escuta o pecado por detrás das pequenas grades de palha, não tinha como absolver ninguém, nem a mim.
Meus pecados eram piores, piores por não se sobrepor aos de ninguém, por não terem nada de “minha culpa, minha máxima culpa”.
Eu escutava seus pecados e tentava dar orientações, como alguém que nunca fui. Parecíamos uma família russa em um drama típico de Dostoiévski.
Os irmãos Karamazov, diriam alguns. Não. Assassinatos, não. Assassinos não.
Cada um contando de seus males e arrependimentos.
E por um único instante pareciam se reconhecer, e entender da dor do outro. Os irmãos apenas se entreolhavam em um silencio mais esclarecedor do que meras palavras.
Algo entre as sombras parecia ir de encontro a uma luz de vela naquela noite de agosto.
