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sexta-feira, julho 11, 2014

Resenha: Água Viva - Clarice Lispector





Clarice Lispector foi a única escritora que conseguiu me aproximar minimamente do que seja o feminino, disse inominável chamado mulher, do mistério do silêncio humano que fala à todos nós.
Água viva, livro de 73, traz uma reflexão interna da personagem, uma Clarice pintora, em um monólogo existencial, perto da experiência do real do corpo, do tempo, vida e morte, através de uma imersão de sons e silêncios.
Li Água Viva para uma pessoa muito amada em seu leito do hospital. Me afundei nesse denso poema em prosa, lendo pausadamente, na esperança de que ele pudesse escutar, ou entender minimamente minha voz.
Nesse monólogo sem enredo, que também eram as nossas vidas, me perdia numa atemporalidade sem fim, sem meio, entre as quatro paredes do hospital, ao lado de sua cama.
Foi um livro do qual, após esses anos que carrego nas costas, ainda não emergi, para relê-lo.
É um livro para se viver, respirar, tomar fôlego e imergir. Talvez na esperança de se reencontrar.



Água Viva - Clarice Lispector. ed Rocco

domingo, junho 08, 2014

Resenha: Make good art - Neil Gaiman

 "Façam boa arte.
 Eu estou falando sério. O marido fugiu com uma política(o)? Faça boa arte. Perna esmagada e depois devorada por uma jiboia mutante? Faça boa arte. I.R. te rastreando? Faça boa arte. Gato explodiu? Faça boa arte. Alguém na internet pensa que o que você faz é estúpido ou mau ou já foi feito antes? Faça boa arte. Provavelmente as coisas se resolverão de algum modo, e eventualmente o tempo levará a dor mais aguda, mas isso não importa. Faça apenas o que você faz de melhor. Faça boa arte.
 "Faça-a nos dias bons também.” - N. G.


Em 2012, o Neil Gaiman fez um discurso para os formandos de artes da Universidade de Artes da Filadelfia. O discurso fez tanto sucesso que foi publicado na íntegra, com a participação do designer gráfico Chip Kidd, que deu uma perspectiva estética muito bacana ao texto, utilizando metalinguagem.
Embora ele seja direcionado àqueles que fazem arte, o texto pode muito bem ser encaixado nas nossas vidas, seja no trabalho, na relação com os outros, seja no nossos projetos pessoais.
Make good art (Faça boa arte) é um pouco da experiência de uma dos maiores escritores internacionais contemporâneos, trazido para nós, jovens de todas as idades, com uma leveza e humor que só poderiam haver nas coisas sinceras.
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Tive o prazer de ler esse livro em uma livraria de aeroporto nos Estados Unidos, clandestina e deliciosamente sem que a vendedora percebesse. Acabei comprando outro livro do Neil Gaiman (que farei também a resenha) para ler no avião. E olhe só que encontro, eu – do alto dos meus 1,93m - tentando me esconder por entre as prateleiras, encontrei algo que falava para mim, que me dizia de amigos queridos e distantes em tão poucas páginas.
Tive vontade de presentear amigos com esse curtíssimo livro de conselhos imperdíveis. Me deu vontade de comemorar os 10 anos do Tardes Quentes e agradecer a todos que colaboraram com esse pequeno espaço perdido da web. Tentei fazer uma boa arte, e olhe só! Só me deixou mais perto de pessoas queridas.

Então façamos boa arte.

* Quem tiver interesse, acabou de ser lançado uma versão em português, pela editora Intrínseca, com a mesma qualidade gráfica do original. É um ótimo presente para dar aos amigos e si próprio.


quarta-feira, abril 30, 2014

Resenha: Carrie, a estranha - Stephen King


Para fechar o mês, estou postando a primeira de (espero) muitas resenhas de livros legais, que li e gostaria de indicar. Essas resenhas serão muito mais pessoais do que pretensamente acadêmicas, porque já basta das pretensas identidades nas quais nos travestimos no dia-a-dia. Espero que gostem.


Carrie

Esse livro foi um dos livros da minha adolescência, dessa entrada na vida adulta da qual você ainda mantém laços com as fantasias e terrores de uma época breve, mas que ainda mantém seus restos no nosso imaginário.
Foi o livro de estreia do Stephen King, em 1974, que conta a história de Carrie White, aluna do secundário de um colégio o Maine, filha de uma mãe fundamentalista religiosa, que descobre ter poderes telecinéticos em meio ao turbilhão de emoções, vindas na adolescência.
O livro tem uma linha cronológica póstuma, uma vez que usa trechos de documentos (ficcionais) sobre o “Caso White” para estruturar o enredo, que será recontado no preenchimento dessas lacunas, trazendo os pormenores e motivações dos personagens.
Carrie sofre diversas perseguições e humilhações por ser diferente, por não se encaixar nos padrões sociais de um colégio dos anos 70. Sua entrada tardia na puberdade, as pressões sofridas no colégio e no interior de sua própria casa acabam por desencadear o horror.
Carrie. O li durante as férias de janeiro, ao som de “Clarisse” da Legião Urbana, que coincidentemente casou com a temática do livro. Era um livro que também falava sobre mim, salvo todas as devidas referências à ficção científica e ao feminino.
Era um livro sobre o horror, o horror que desencadeia o horror. Pobre Carrie que, sendo a assassina, foi a que mais sofreu; que sua telecinesia nunca fora páreo para os olhares indiferentes, os risos de escarnio; que o horror vinha dos jovens, perfeitos, angelicalmente sádicos.
Revisitando-o, anos mais tarde, já adulto, me deparei com uma breve introdução do próprio autor sobre o motivo que o levou a escrever esse, que seria apenas um conto para ter grana para comprar fraldas. Ele o escreveu para duas meninas, as quais ele conheceu em sua infância, as quais foram vítimas do mesmo horror presente no seu livro. Elas, as quais ele não revela os nomes verdadeiros, não chegaram a tornarem-se adultas, ambas suicidaram-se jovens em anos diferentes.
Um livro que mostra o horror dos normais, o horror dos que sofrem e que também machucam. Um horror que nos convida a pensar e sentir.



segunda-feira, agosto 09, 2010

Resenha: Dublinenses – James Joyce


Depois de começar a ler as primeiras páginas de Ulysses, desisti e resolvi tentar ler James Joyce de forma cronológica.
Dublinenses me foi um espanto do primeiro ao último dos seus quinze contos. Dos textos curtos de histórias, que nada mais eram, do que pedaços do cotidiano dos moradores da Dublin do início do século XX, que começavam sem dar muita referência de seus personagens e terminavam por deixar mais curiosidades do que certezas sobre o que acabara de ocorrer, encontrei com elementos meus próprios, que de vez em quando teimam e permanecer nos textos do Tardes Quentes.
As lembranças da infância, as reflexões, o frio das noites de Dublin vinham até mim muitas vezes pelas noites de ventos frios e das chuvas de julho. Joyce apresenta personagens reais, desvelando os desejos e segredos destes, indo do desejo desesperado em asfixiar o filho contra o peito, os segredos das relações conjugais até o confronto com a lembrança de um amor perdido de sua esposa que o faria refletir sobre a própria passagem do tempo e do sentindo das palavras ditas nas festas natalinas.
Um livro que me deu saudade assim que terminei de ler sua última frase. Dera-me saudades de mim também, ou mais especificamente das histórias que trago comigo.
Dublinenses é aquele tipo de livro para se ler como quem come um pedaço de chocolate, sentindo o sabor aos poucos porque não se quer terminar. Pode ser até mal digerido. Mas, com certeza, se quererá mais um outro pedaço depois.

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Resenha: A parte obscura de nós mesmos: Uma história dos perversos - Elisabeth Roudinesco


Justamente em clima de Natal, e possivelmente o último post do ano, venho fazer um release de um ótimo livro que estou lendo.
Um livro que fala da nossa história oculta, do nosso ser que tentamos deixar a todo custo em nossas trevas.
Estou lendo um livro sobre a história dos perversos.
De Elisabeth Roudinesco, “A Parte Obscura de Nós Mesmos - uma História dos Perversos”, é um retrato sublime de como a perversão fora encarada no decorrer dos séculos até ser caracterizada em personalidade e suas facetas sexuais, passando pelos santos católicos e seus martírios, pela lenda do Barba Azul, pela magnífica produção do Marquês de Sade e seu olhar iluminista, ao nazismo e as transformações sociais atuais.
Um livro para se deleitar com os maiores horrores e blasfêmias que a nossa condição humana pode produzir. Um livro para lamber os dedos e a ponta do chicote.
Enfim, feliz Natal a todos, ou seja, a mim, já que ultimamente sou o único que me lê ultimamente.
Sim, sim. Que o bom gosto continue e melhore no ano que vem.
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