É
fim-de-tarde.
terça-feira, outubro 15, 2013
segunda-feira, setembro 16, 2013
De partida II
Arrumo
minhas malas no meio da noite, não tenho sono. Separo um par de Allstar confortáveis.
Minha
esposa me conta como tem medo de aviões e eu falo, em vão, sobre taxas de
acidentes. Toca uma música antiga do Goldfrapp
e eu respiro fundo, estou de partida.
Talvez
já tenha partido alguns dias antes, ficando só para me despedir dos amigos,
esperando ouvir desejos de um retorno bom, porque no fundo também tenho medo,
mas não de avião.
Separo
Deuses Americanos para ler na viagem
e salvo a Tábua de Esmeraldas para
ouvir, talvez o álbum daquela música do Goldfrapp.
Ela
dorme enquanto fumo um cigarro na varanda, olhando a vida noturna dos gatos do
bairro, na madrugada do domingo pra segunda.
Fiquei
de dar um abraço no meu irmão amanhã, de almoçar com a minha irmãzinha, de
dizer tchau para os amigos.
Estou
feliz.
Happiness
how'd ya get to be happiness?
How'd ya
get to find love real love?
quarta-feira, setembro 11, 2013
Errare humanum est
Porque
pensava que poderia voar, acreditara estar acima dos erros.
Sua
queda foi enorme, e os que viram o corpo celeste ao longe se deliciaram e
tiraram fotografias da queda.
Em
chamas a cair. Da cidade prateada, passando por Hades, continuando à
cair.
As
Fúrias a rirem da queda, lamentado por não tomarem parte dela, por não serem à
elas atribuídas as dores do corpo celeste, que também era homem.
Eu
também estava lá, no frio da noite olhando a chuva de meteoros a convite de
minha amiga, que morava na fazenda vizinha. Fotografei com a velha câmera zenit
de papai.
Sentado
na cerca eu vi a queda dos seus sonhos, dos erros que mais tarde eu adulto
também cometeria. Porque assim somos feitos das poeiras das estrelas, e
entraremos, mais cedo ou mais tarde no Hades, e porque errare humanum est.
domingo, agosto 18, 2013
Fotos
Ah, querida! Na fotografia, não é pra mim que tu
sorris. Como também não é o teu nome em minha tatuagem.
Da mesma forma que não é nosso o mundo e que, de
comum entre nós, só os desencontros parecem ser as únicas constantes a nos
unir.
Na antiga fotografia do baú de carvalho está toda a
família, fotografias em preto e branco e de colorido desbotado, com
dedicatórias antigas aos tios e padrinhos. Recortes de nostalgias não vividas
pelas gerações seguintes aos sarais, bailes e matinês.
Termino por jogar as fotos nem tão recentes junto
com as demais, como se pudesse a alegria, a calma e o calor vazar, por osmose,
de uma felicidade túrgida, para uma cena árida.
Lembro de uma foto tirada quando estávamos todos
juntos, felizes. Sorriamos para o que imaginávamos sermos nós no futuro a olhar
nossos sorrisos.
Hoje os
sorrisos ficam no escuro da arca, esperando serem redescobertos pelos
escafandristas à explorarem nossa cidade submersa.
Assinar:
Postagens (Atom)



