quinta-feira, março 19, 2009

Novas postagens, mudanças de nomes, perdas de peso e tempestades



Ando cansado da velha retórica das descobertas, das contemplações. Andei alguns meses preso ao concreto, menos Bilac e mais Machado e Nelson Rodrigues.
Tenho trabalhado como uma mula, e não tenho tido o ímpeto de visitar este espaço para escrever. Já fui esquecido várias e várias vezes, e por várias e várias vezes me reconstruí por aqui.
Mas ai está a questão. Onde é aqui? Onde me encontro e onde nos encontramos aqui?
Um espaço formado por palavras sem massa corpórea, permeada as vezes por imagens de momentos e pessoas que se perdem nos milhares e milhares de sites e informações que surgem a cada segundo.
Crise financeira, Obama, deslizamentos de terra, enchentes, fóruns de informações, o próximo a sair do Big Brother, fofocas dos famosos, sites pornô, New York Times on line, blogs, fotologs, milhões de terabits de informações a cada segundo. Toda informação já é passado.
Um passado que permanece eternamente, que pode ser resgatado e relido quantas vezes você quiser. Um espaço onde a palavra tem mais peso que o corpo.
Perdi 11kg e parece que esse peso foi tirado proporcionalmente às minhas palavras. O blog está mais leve também, senão de conteúdos talvez de qualidade. Qualidade de vida (virtual) é bom. E mudanças já não assustam.
A uns 5 meses já não sou DW... talvez já não o fosse a muito tempo, e ao me reinventar esbarrava justamente na peça que não era trocada.
Bem, acabei ganhando uma nova alcunha, da qual me afeiçoei e pela qual fui sendo redescoberto por outros anônimos como eu. Não mais um DarkWizard, clichê mais do que utilizado hoje em dia, criado na adolescência em pleno apogeu do mIRC.
Surgem os msn’s da vida e aquilo que não se transforma acaba esquecido por aqui, e passei de um bruxo americanizado para uma força da natureza mais cosmopolita. Demorei pra me acostumar com o novo nome, mas hoje ele surge com espontaneidade. Tempestade.
Uma vida tempestuosa, tanto para causar estragos quanto para trazer as chuvas necessárias
para se crescer.

Mudanças me interessam


domingo, janeiro 25, 2009

Explorações


Para quem ainda tem seus pais talvez possa ser difícil entender o que pretendo discursar nas seguintes linhas. O porquê das perguntas que virão, da necessidade de respostas para lembranças triviais talvez sejam incógnitas até mesmo para as quem responde.
Hoje me pergunto se as coisas das quais me lembro realmente aconteceram. Viajo em minhas lembranças e não encontro respaldos para a veracidade delas. Minha infância se perde entre os contos e histórias que ouvia de meus pais, assim como nossos filhos um dia se perguntarão se aquela mais longínqua lembrança realmente aconteceu da forma q se lembram...
Peguei-me pensando nisso enquanto arrumava velhos CDs e discos de vinil deles. Jovem guarda, jazz, Beatles, Ray Charles, Big Bands. A trilha sonora de uma época que se encontra cada vez mais distante. Uma época de final de ditadura, com um jovem militante com pouco estudo, que acreditava em uma sociedade igualitária e uma jovem recém-chegada a uma pequena cidade, começando vida nova e ávida por diversão.
Assim acredito ou imagino. O pouco que penso saber deles talvez revele o pouco que sei explicar de mim. Não enxergo no espelho as semelhanças físicas que dizem eu ter.
Boleros, a velha vitrolinha. Chego a escutar o chiado da agulha no disco de historinhas infantis que haviam comprado para mim.
Como foi aquele natal? Recupero pedaços de minha história em conversas familiares fugazes. “Ah! Isso era típico de sua mãe” – dizem com uma familiaridade que desconheço às vezes.
Sou um estrangeiro em minhas lembranças, um mal explorador de minha história pessoal cuja timidez e medo, impede que meus mitos sejam destruídos.
Tenho medo de esquecer. De ser o último receptáculo de lembranças que se esvaem como grãos de areia pela minha mão aberta.
Só mais um grão de areia na praia.
Arrastado pelas ondas do esquecimento.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

As aventras de um marido intrépido aventureiro da vida cotidiana contra a ditadura da moda




E lá estávamos nós pelos corredores da Riachuello, um jovem casal a procura de roupas para pessoas normais.
Em meio a enxurrada de mulheres que transitava, em meio as roupas femininas estava eu tentando achar com minha esposa uma roupa que pudesse caber em uma mulher adulta e não em uma menina de 12 anos ou uma anoréxica. Minha viagem de tantos anos pelo universo feminino, começados na faculdade, não tinha como escapar de uma loja de roupas.
E eu, intrépido aventureiro da vida cotidiana aprendia a matemática dos manequins, suas somas e subtrações.
Aprendi sobre os efeitos psicológicos dos números dos manequins sobre as mulheres, não só pela minha esposa, mas por todas ao meu redor. Aprendi sobre a falta de respeito com o corpo da brasileira e suas curvas.
Realmente vivemos numa ditadura do corpo. Consumidos por um modelo que nunca conseguiremos ter. Um corpo moldado, sem vida, obrigatoriamente branco, de olhos claros, bocas carnudas, seios fartos, sem estrias e celulites; e, se por acaso for negro, que tenha os cabelos lisos por químicas de formol e tenha traços europeus.
Eu não sou mulher, mas sei bem como é estar fora dos padrões. Dos meus mais de 1,90 de altura ralo pra achar roupas que não se assemelhem a sacos de batatas, calcas que tenham a extensão das minhas pernas, mas não se assemelhem a calças de palhaços e sapatos que cheguem aos 44 ou 45 sem me deixarem mais anormal do que já sou.
Mas isso é um problema meu. Voltemos as mulheres.
Mas o que o marido, intrépido aventureiro da vida cotidiana, poderia fazer diante do enorme monstro invisível que penetra em nossas cabeças e nos cega diante do absurdo que é encontrar um manequim 40, quando na verde ele não passa dos 36? Ou das calças em que os manequins crescem inversamente proporcional ao tamanho e comprimento dos tecidos?
O que dizer senão que esse monstro invisível não gosta das mulheres, do seu corpo, não as compreende? Pelo menos não como eu. Ele não sabe nada sobre as delicias imperfeições do corpo da mulher, cada imperfeição que torna ela única, que torna seu corpo humano, diferente de um manequim de loja, os volume a mais, a textura, as diferentes texturas de cabelo, o cheiro...
Só sendo um monstro ou um alienado para não perceber a beleza por detrás de cada corpo, cada curva ou volume, mas para além disso, a mulher em si. A mulher, um camaleão humano, sempre em transformação:filha, irmã, mãe, avó. Da fiel dona do lar às executivas em sucedidas, das viciadas em chocolates às viciadas nas dietas da lua e dos chás verdes, das misteriosas às mais misteriosas.
Abraço-a e digo que não haveria quem eu pudesse desejar mais nesse mundo, ela era real.
Lhe dou um beijo em meio a milhares de transeuntes, eu, em meus 1,90 de altura todo desengonçado e a mulher mais bela do mundo.

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Resenha: A parte obscura de nós mesmos: Uma história dos perversos - Elisabeth Roudinesco


Justamente em clima de Natal, e possivelmente o último post do ano, venho fazer um release de um ótimo livro que estou lendo.
Um livro que fala da nossa história oculta, do nosso ser que tentamos deixar a todo custo em nossas trevas.
Estou lendo um livro sobre a história dos perversos.
De Elisabeth Roudinesco, “A Parte Obscura de Nós Mesmos - uma História dos Perversos”, é um retrato sublime de como a perversão fora encarada no decorrer dos séculos até ser caracterizada em personalidade e suas facetas sexuais, passando pelos santos católicos e seus martírios, pela lenda do Barba Azul, pela magnífica produção do Marquês de Sade e seu olhar iluminista, ao nazismo e as transformações sociais atuais.
Um livro para se deleitar com os maiores horrores e blasfêmias que a nossa condição humana pode produzir. Um livro para lamber os dedos e a ponta do chicote.
Enfim, feliz Natal a todos, ou seja, a mim, já que ultimamente sou o único que me lê ultimamente.
Sim, sim. Que o bom gosto continue e melhore no ano que vem.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Textos perdidos de Natais e agradecimentos




Fico em silêncio por mais de 30 minutos na frente do computador...
Trinta longos minutos em frente a tela branca sem ter o que escrever depois de ter apagado acidentalmente o texto que seria o predecessor deste ...
Vazio... assim me sinto... como se todos os sentimentos fossem depositados em algo que já não existe mais. Toda a poética, todas as revisões, as alusões, o preparo para olhos alheios e sem pudor, tudo para nada.
Só para meus olhos calejados de ler o óbvio sobre mim...
A única coisa que sobrou daquele texto fora a foto que tirei do pequeno inseto que caminhava na tela do computador, que acabou por registrar um pequeno pedalo de texto que agora se perde de seu sentido, do meu sentido.
Sinto vazio ao escrever, mesmo ao escutar Smiths agora, mesmo a meia-noite e doze, enquanto escrevo. Um texto que falava de agradecer, um texto que falava do meu imergir em mim.
Meu
Eu
Meu
Eu
Eu
Meu
Chega.
É tempo de agradecer.
Tempo de saber ir para coxia e ver a beleza dos coadjuvantes de nossas vidas, e aprender a ser coadjuvante na vida dos outros.
Aliás, todos somos atores principais, até mesmo na vida dos outros, nem que por breves momentos, mas talvez devêssemos exercitar um pouco nossas figurações.
Quero beijos e sorvetes de flocos.
Nem lembro mais daquele texto e escuto a TV da sala ligada enquanto eu escrevo na escuridão, sob a luz do computador, que faz sombras nas teclas que insisto em bater após perder meu outro texto.
Tenho saudades de todos, e tenho mais cartas prontas em minha mente. Prontas para correr o mundo em busca dos meus amigos. Quero todos comigo em minhas tardes quentes de outono.
Quero agradecer a todos que passam na rua, tirando meu chapéu para os senhores e as jovens senhoritas enquanto caminho com minha bengala ao lado de minha esposa.
A primavera se foi, nossa primeira primavera. Que venham as estações, minhas emoções nunca fora sazonais.
Que venham as estações! Eu ordeno.
Caminhemos juntos pelo saboroso prazer de descobrir, de nos descobrir, de nos despir do medo de nos descobrir.
Tiro meu chapéu e agradeço a todos que passam.
Feliz natal digo a todos, como se de repente fosse o velho Scrooge, do conto de Dickens, após ver todos os fantasmas dos natais...
Caminho sorridente, tiro meu chapéu novamente e paro diante de você. Levemente faço uma referência olhando em seus olhos.

Obrigado e feliz Natal.



Trilha sonora:


sábado, novembro 08, 2008

Livros e cartas e justificativas



Justificativas


A nova vida de servidor público me deixou um pouco afastado desse meu cantinho, que agora retomo um pouco envergonhado de escrever e meio enferrujado das palavras...


Livros e as cartas


Nesses últimos meses tive três companheiros queridos comigo: Rainer Maria Rilke, Friedrich Nietzsche e Arthur Schopenhauer. Três alemães dispares, que andam me ensinando formas diferentes de ver as mesmas coisas de sempre. Um se tornou meu irmão, um meu algoz e outro um guru.

Tenho tido conselhos sobre a escrita através das cartas de Rilke, assim como tenho tentado acompanhar os passos de Zaratustra.

Minha compulsão pela leitura não tem tido limites nesses últimos anos, e tenho me enchido das experiências de tudo, do todo estou grávido.

Estou grávido de uma nota musical, das palavras que têm buscado irem para bem longe de mim, nas cartas que tenho enviado.

Tenho sido avaro com cada boa sensação que tenho tido, me vendo longe daquele mesmo eu que deixava as pequenas felicidades escorrer pelos dedos abertos... Hoje minha felicidade segue pelos correios, dando olás e como vais? por ai, ávido pelas noticias, esperando pelas respostas.

Hoje me dou mais respostas e aguardo pacientemente as respostas alheias, que já não mais são alheias a mim.

Escuto um velho álbum de Cartola e cantarolo velhos sambas doces desse grande senhor. Busco as coisas simples e já não me reclamo das complicadas. Tenho aprendido a amar e até desejar minhas tragédias. Sou meu espelho avesso, e vejo mais que o reflexo de mim.

Vejo um mundo por descobrir.

Um mundo pelo qual viajo por meio das minhas cartas...

segunda-feira, setembro 08, 2008

Beija-flores, descobertas e casamentos

Esses dias um beija-flor veio constantemente ao segundo andar do apartamento da minha esposa desfiar as pontas da rede do meu pai que agora é minha...
Por muitos momentos ficava a olhar ele (ou ela), encher a boca com os fiapos da rede, formando uma barba branca em seu longo bico...
- Ele deve estar pegando os fiapos pro ninho dele, para os filhotinhos – dizia ela, rindo enquanto eu ficava preocupado com a rede que agora era minha.
Finalmente eu vou construir um ninho também... Talvez, na verdade esteja só a ponto de oficializar esse ninho que tenho e chamá-lo de meu também.
Casar de papel passado, com direito a (argh) igreja e sogros velhinhos e simpáticos. De terno, gravata, allstar e suspensórios, estou caminhando para mais uma das minhas mudanças, mas uma mudança que pude escolher, e como pude escolher.
Caminho para uma mudança feita de coração, voltada para a felicidade. Voltada para a cumplicidade, de ser dois com jeitos, temperamentos e visões de mundo diferentes, e não uma massa disforme de duas pessoas que perdem suas identidades e não sabem onde um começa e onde termina o outro.
Caminho, não com o coração de um apaixonado cego, ávido por amor incondicional e pela sensação de posse do outro, jogando suas expectativas de felicidade nas costas do outro, mas talvez como um romântico incurável, que sabe das limitações do outro e de suas próprias, e mesmo assim não deixa de se apaixonar diariamente não só pela sua mulher, mas por tudo que o rodeia.
Não quero um conto de fadas, como talvez possa se pensar de um casamento “oficial”, ou como fui questionado sobre as certezas de uma de viver a dois. Estou mais para “a vida como ela é”, e ela é pra mim algo que está sempre para se descobrir, uma cruzada para mais além, um momento de sabores e de dissabores, de leituras e práticas e antes de tudo de sentimentos.
Minhas tardes quentes nos outonos da vida estão menos solitárias, mais cheias de sorrisos e claro, como isso é vida real, de discussões, de brigas e de reconciliações. Ah! As reconciliações, tão deliciosas que dá vontade de brigar novamente.
Se tem algo que aprendi é que muitas vezes isso de nada vale se não aprendemos algo imprescindível (pela qual uma amiga minha trava uma cruzada feminista para que todas entendam), que nada disso adianta se não há amor próprio, se não há o gostar de si.
Gostar de si. Poderia me ouvir falar disso sob uma ótica totalmente diferente a mais de meia década atrás. Talvez esse tenha sido um dos maiores presentes desse blog para mim (além dos amigos inusitados e ímpares que descobri por aqui), ter a oportunidade de aprender comigo mesmo, de me desejar, de me despertar um afeto que antes era totalmente desconhecido por mim mesmo e que hoje se torna um tesão, uma paixão e um amor condensado.
Estou feliz, assim como estarei triste, bravo, solidário, condescendente.... em busca de redenção.

De vez em quando o beija-flor aporta na varanda e vem desfiar a rede antiga.
- Vou comprar um daqueles potes em forma de flor, que se pões água açucarada para o beija-flor se alimentar – me pego pensando de vez em quando.
Venha tomar uma garapinha meu amigo, e vamos bater um papinho sobre nossos ninhos e, quem sabe, marcar um encontro de casais. Pode trazer seus filhotes também pra conhecer a gente, adoramos crianças.
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