sexta-feira, março 12, 2010

O Brasil fica órfão de um de seus gênios do Cartum.


Com tremendo susto e muito pesar que recebi a notícia do assassinato de Glauco Villas Boas, em uma notinha curta de última hora no fim do Bom dia Brasil.
Glauco foi um dos melhores cartunistas do país, pai de personagens como Geraldão, Casal Neuras, Zé do Apocalipse, Doy Jorge e a Dona Marta.
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Não só seus personagens ficaram órfãos, mas todos nós que acompanhamos e fomos cativados por seus personagens mais reais do que excêntricos. Junto com Angeli e Laerte (amigos e também gênios o Cartum nacional), criou Los Três Amigos, cujas aventuras de Laertón, Glauquito e Angel Villa nada mais eram do que os escracho acumulados dos próprios autores (com o passar dos anos o personagem Adón, homenagem ao amigo cartunistas Adão Iturrusgarai, foi adicionado ao trio, mantendo-se o nome da tira).
Para quem pegou o fim dos anos oitenta e início dos noventa e teve a oportunidade de ler revistas como Chiclete com Banana, Piratas do Tietê e Geraldão, com certeza sabe que o assassinato de Glauco foi mais do que a morte de mais um, um número entre milhares de números nas estatísticas, e com certeza mereceria mais do que uma nota no final de um telejornal matinal.

Glauco foi vítima de um assalto em sua casa, ele descansava com a mulher (Beatriz Galvão) e os filhos em casa, quando foi invadida por dois homens armados. Ele conseguiu negociar a saída junto com os assaltantes, deixando mulher e filhos em casa. Quando saia, seu filho Raoni (25 anos) chegou, houve discussão e pai e filho foram assassinados. Glauco foi alvejado por quatro tiros à queima roupa, ambos morreram a caminho do hospital.
Ninguém foi preso até o momento.

Fonte: Folha Online e uol notícias

Galeria de fotos



Los Três Amigos: Angeli, Glauco e Laerte








quarta-feira, março 10, 2010

Cotiadiano ou Desacertos


E é assim que sempre continuam os dias. As férias finalmente acabam e as coisas começam a voltar ao seu ritmo, ou seja, começam a dar errado.

Máquina de lavar pifada, descarga da suíte com defeito, computador formatado e raridades perdidas. E tudo só na primeira semana de trabalho... Nada como volta à velha rotina.

Em breve será mais um ano de Tardes Quentes de Outono, e eu ainda não me encontro no meu modo de escrever. De diário virtual dos meus 18 anos, desabafos virtuais, blog de pequenas crônicas, à, com o fim do weblogger, um blog, algo disforme e sem rumo dos dias de hoje.

Do calouro da faculdade; das idas à cidade velha, das bebidas do bar do fogão; das viradas de noites com os amigos na velha boate undergroud que funcionava numa panquequeria num dos velhos casarões do bairro histórico; das madrugadas a filosofar com vinhos e salgadinhos na varanda de frente pro mar; dos infartos, comas, cânceres e mortes; do início da vida adulta; da tomada da vida profissional; do casamento e das novas descobertas como homem, marido, companheiro; de todo um percurso intermitente, pelo qual percorro me dando conta as vezes, as palavras sobram e sobrevoam tudo.

Tudo porque olho demais para trás. Quero voltar a escrever crônicas. Quero me animar a escrever mais.

Então sento na frente do computador, enquanto ponho The Smiths pra tocar. Penso em contar alguma história alheia...



“...Como a duas décadas atrás ele vinha ao mesmo parque, não sabia ao certo o porque, mas como se as folhas do outono caídas sobre a pequena estrada de seixos lhe fossem um emplastro para alguma dor crônica, tomava sua caminhada em doses homeopáticas. Foi ai que aconteceu.

Sem avisar, vinha uma lufada de vento que trazia mais do que as folhas amarelas e secas, mas as novas de uma história que se perdera à muito e que pela qual ele não cuidara de se resguardar, talvez por imprudência (quem sabe?), mas a qual nem horas e mais horas de seu emplastro poderia sanar...”

domingo, fevereiro 07, 2010

Diários de São Paulo




Olho pela janela do hotel e vejo as luzes da cidade que nunca dorme, o quarto escuro e somente a luz do computador a iluminar a pequena mesa, que sustenta minhas palavras e a pequena xícara vazia de café expresso.
Antes de dormir ela pede para que não passe a madrugada inteira no computador, então logo em seguida pega no sono, como uma criança, a esquentar nossos lençóis. Recapitulo cada passo do dia, desde a chegada de uma viagem cheia de turbulência e raios às poucas horas dormidas e o caminhar pela cidade.
Dos muitos bairros, que me lembravam Porto Alegre, via a colcha de retalhos que lembrava a capa do livro de Mário de Andrade, disforme de timbres, cores, tamanhos, dos metrôs lotados, de cada peça de uma falange que me escapa o significado. Lá estava o meu eu, lírico e satírico, que caminhava por entre os transeuntes da estação da luz, do museu da língua portuguesa e se encontrava comigo em meio à exposição dedicada a Cora Coralina.
Recordava das histórias de minha mãe jovem que viajava pelo país inteiro e suas divisas, como se para mim, menino, fosse ela um Odisseu. Recordava toda uma história mítica de mim, como se as lembranças dos lugares que nunca fui se misturassem as minhas próprias lembranças pré-históricas de poucos anos, como passar pelo MASP, ver esculturas de Abelardo da Hora e não lembrar de meu pai e seus seminários caseiros sobre a importância da cultura ou ao comer numa cantina no Bexiga ou qualquer outro local boêmio com histórias antigas.
Às vezes consigo viajar para mais longe do que meu corpo pode acompanhar. A avenida paulista hoje me parece interminável, mas já não caminho sozinho a um bom tempo, e já não me importo de tê-lo de percorrer. De mãos dadas o caminho sempre acaba sendo mais curto.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Caminhada



Vídeo: Arquivo Pessoal


Volto correndo da chuva. O allstar vermelho já enrustido por causa da lama tem muita história pra contar, não tenho mais idade pra usar allstar, não tenho mais a idade que sinto ter.

Corro mais rápido, logo estarei mais molhado pelo suor do que pela chuva quando parar em um lugar seco, a meia encharcada, o pé enrugado.

A chuva cai no asfalto quente e deixa a rua abafada, não sei o que é pior, a chuva grossa na minha cabeça ou o abafado que vem do asfalto que teima em não resfriar.

A barra da calça já era, a umidade só não chega aos joelhos porque tenho as pernas longas, enormes, sou um gigante dando passos de um metro correndo da chuva.

A gola do casaco verde musgo levantada, os cabelos molhados caídos na testa e um delta no início da testa de onde parte as linhas d’água que escorrem pelo rosto, sinto o gosto da água da chuva.

Tenho vontade cantar como Gene Kelly, mas mal consigo respirar, o ritmo já não é mais o mesmo, estou tão atrasado como o coelho de Alice. Sinfonias de carros na rua e da minha cabeça não saem viagens de avião, congressos, amigos e a coleção de Proust que ganhei de minha sogra.

Não importa mais não vou chegar na hora. Volto caminhando alguns metros até o café pelo qual passei, espero que me deixem entrar assim. Quase bato a cabeça no sino que fica preso à porta.

- Um expresso grande, por favor, ah e o jornal de hoje, obrigado. Fujo do ar-condicionado e sento-me à janela do café. Lá está o mundo em movimento, nem presto atenção mais ao jornal.

Tomo um gole do café forte e deixo a fumaça que sai dele levar as angústias do coração.


quarta-feira, dezembro 23, 2009

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Caravaggio


Saint Jerome in Meditation
Óleo sobre tela


Sempre gostei das obras de Caravaggio, principalmente do contraste entre claro e escuro, ainda mais quando as cores fortes se mostram cada vez mais vivas.
As vezes medito como são Jerônimo, sei que a pele ficará flácida e a carne perderá seu tônus. Não sou santo, muito menos católico, mas sempre há algo que irá ser comum a nós por enquanto.
Dizem que a madrugada é a hora da morte, não acredito muito. Deixo as reflexões para Saint Jerome, que reflita sobre a martirização e suas mortificações.

terça-feira, novembro 10, 2009

Jazz



Fim de semana, festival de jazz na Torre Malakoff. Esposa, irmão, amigos, música boa....
Já não desenho, nem fotografo a meses, e nem tenho tido muita energia pra nada. Leio, leio e não saio do lugar. Sou um mal-agradecido.
Ouço trompetes, enquanto canto no chuveiro. Ah que calor!
Ainda prefiro sentar na rede da varanda e tomar meu café quando acordo sem sono, sentindo o sol chegar lá pelas quatro e meia, cinco horas.
Consigo pensar em nada, nessas horas um gole de café. Vazio, e sinto o frio da madrugada ir embora. Fico com sono logo, logo.
Volto a dormir e ainda escuto trompetes distantes.

Trilha Sonora (escute enquanto lê):
So What – Miles Davis e John Coltrane
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